Parabenizando todos os colaboradores que possibilitaram a criação desta revista, principalmente gostaria de agradecer o convite para participar dela compondo esta coluna. Fui professor da rede estadual de educação 15 anos, e descontente com os resultados e realidades que eu observava, senti a necessidade de dedicar-me integralmente aos estudos e pesquisas em várias ciências atuais, afim de idealizar e criar um modelo mais satisfatório que o atual. Foi então que abrimos nossa escola. Os primeiros 4 anos nos trouxe apenas experiência em todos os sentidos. Após este período é que iniciamos realmente um trabalho mais diferenciado, que começou a apresentar resultados. E hoje continuamos em nosso laboratório particular, com crianças felizes e respeitadas individualmente, num espaço constituído por salas ambiente e natureza, onde elas desenvolvem-se nas suas múltiplas inteligências, em seu auto conhecimento, em sua auto suficiência, em limites, e em todas as “alfabetizações” necessárias ás necessidades de uma realidade não só material, mas integral. E um dia espero poder empenhar-me completamente no auxílio dos profissionais deste setor de suma responsabilidade e importância para o futuro de nosso país.
O sistema atual de educação
Após o que senti e o que sofri em toda uma vida de estudos na rede
estadual com pouquíssimo aproveitamento, e depois do que passei como
um dos rotulados professores da mesma, foi imensa a vontade que cristalizou-se
em mim de conquistar a maior das caridades: criar um novo modelo para uma estrutura
ultrapassada e falida de educação, um oceano de burocracias, cujos
resultados são provados pela sociedade em que vivemos. Todos os seres
humanos de nossa sociedade inclusive os marginais, drogados, criminosos, estressados,
deprimidos .......... obrigatoriamente frequentam por x anos a escola. E se
alguma instituição pode auxiliar na formação de
consciências mais completas, não apenas a nível de instrução
e memorização superficial, esta é chamada escola. Os maiores
criminosos da humanidade eram altamente instruídos porém não
conscientes, não consequentes, insensíveis ou amorais, com uma
maneira egoísta de ver o mundo dentro de padrões individuais,
sem sintonia com as leis da natureza universal. Apenas um “homem”
consciente necessariamente será bom, e para este tipo de formação
será necessário mais que rótulos, desejos, pessoas se descabelando
ou boa intenção. Porém, milhões de alunos estão
totalmente á mercê de seres humanos com total livre arbítrio
em sua sala de aula, dentre os quais a grande maioria, dá o que recebeu
ou repete o que outros fazem por um salário, geração após
geração a centenas de anos. Claro que cada um faz o melhor que
pode dentro das suas possibilidades, mas isto não muda as idéias
erradas que quase toda uma sociedade nos passa através de uma programação
social, como a do consumismo, a do imediatismo, a de que herói é
aquele que mata a todos e explode tudo,a de que nossa responsabilidade é
apenas com nossa família, a de que para eu ser feliz preciso de dinheiro
ou de alguem que preencha minhas lacunas ou carências., discriminações,
etc........ Por enquanto o que se fiscaliza e se prioriza são as leis
quanto ás exigências relativas ao prédio físico da
escola, fichas, e papéis a preencher, considerados importantes para os
dirigentes responsáveis pelo ensino no Brasil. Agora o método,
um sistema,m as palavras e atitudes de cada professor em sala de aula com cada
indivíduo, a escassa possibilidade de atualizações por
conta própria por vários motivos, ficam para depois. E os alunos
devem tentar a sorte de poderem estudar com profissionais menos desanimados
e mininamente dedicados e sensíveis. Mas o chamado “professor”
que superlota as alas psiquiátricas particulares, nunca se realizará
com a conquista de resultados satisfatórios lidando sem uma consciência
maior de nossos caminhos como seres divinos em eterna evolução,
com classes superlotadas ou massas de alunos, relacionando-se com amontoados
de individualidades únicas e incomparáveis, que precisariam de
atenção especializada em cada carência ou desajuste de seu
modelo, através do qual consegue enxergar a vida. A guerra, a violência,
a maldade, a ignorância, o materialismo, o partidarismo e tudo o que degrada
um planeta tão lindo como o nosso está no espírito e no
pensamento, e são estes dois os futuros focos de trabalho para gradativa
e lenta transformação de uma humanidade que deverá aprender,
nesta nova era, a dominar sua animalidade descontrolada, libertando-se da crisálida
que pesa e a impede de voar para o alto, para além do orgulho, do egoísmo
individual ou familiar, e das ambições passageiras e instintivas
que determinamos como vínculos únicos de prazer sem outras idéias
ou opções. Particularmente acredito que o objetivo primeiro de
todo ser humano deveria ser a reforma íntima real e a prática
para a felicidade interior e incondicional, e não a aprovação
nesta página infeliz chamada vestibular, como se fosse a fonte eterna
de dinheiro e causa única do sucesso em todas as facetas da vida. Centenas
de vezes me deparei em minha vida com ricos infelizes e com pessoas extremamente
pobres mais felizes.
Para podermos iniciarmos juntos um novo processo, devemos nos alicerçar
em parâmetros como na programação neurolingüistíca,
psicobiofísica ou integração corpo, mente e espírito
que hoje já é uma das matérias básicas do curso
de medicina da USP, biopsicoenergética e nas pesquisas ou comprovações
científicas. Depois contamos também com pensamentos e biografias
de grandes missionários e mestres, assim como bibliografias atuais que
possam nos auxiliar num direcionamento mais alicerçado, verdadeiro e
prático de nosso trabalho.
O primeiro passo é humildemente assumirmos que todos somos professores
e alunos em nossa sociedade, médicos de nós mesmos e todos somos
responsáveis por ela. Após o final de mais um ciclo evolutivo
de nosso planeta, vislumbramos em toda a terra luzes que começam a brilhar
como uma constelação de pensamentos sintonizados com uma nova
era que se inicia, quando já não basta a fé sem as explicações
lógicas, ou o raciocínio sem o pulsar de um coração,
onde não se aceita mais teorias sem práticas, palavras sem exemplos
ou trabalho sem ótimos resultados.
Educar talvez não seja o enviar de informações de um arquivo
mental ao outro.
Artigos / Revista Um Mundo Melhor – nº 01
Setembro/Outubro 2003