EDUCAÇÃO DA NOVA ERA
Professor Carlos Eduardo Terzini

Parabenizando todos os colaboradores que possibilitaram a criação desta revista, principalmente gostaria de agradecer o convite para participar dela compondo esta coluna. Fui professor da rede estadual de educação 15 anos, e descontente com os resultados e realidades que eu observava, senti a necessidade de dedicar-me integralmente aos estudos e pesquisas em várias ciências atuais, afim de idealizar e criar um modelo mais satisfatório que o atual. Foi então que abrimos nossa escola. Os primeiros 4 anos nos trouxe apenas experiência em todos os sentidos. Após este período é que iniciamos realmente um trabalho mais diferenciado, que começou a apresentar resultados. E hoje continuamos em nosso laboratório particular, com crianças felizes e respeitadas individualmente, num espaço constituído por salas ambiente e natureza, onde elas desenvolvem-se nas suas múltiplas inteligências, em seu auto conhecimento, em sua auto suficiência, em limites, e em todas as “alfabetizações” necessárias ás necessidades de uma realidade não só material, mas integral. E um dia espero poder empenhar-me completamente no auxílio dos profissionais deste setor de suma responsabilidade e importância para o futuro de nosso país.

O sistema atual de educação

Após o que senti e o que sofri em toda uma vida de estudos na rede estadual com pouquíssimo aproveitamento, e depois do que passei como um dos rotulados professores da mesma, foi imensa a vontade que cristalizou-se em mim de conquistar a maior das caridades: criar um novo modelo para uma estrutura ultrapassada e falida de educação, um oceano de burocracias, cujos resultados são provados pela sociedade em que vivemos. Todos os seres humanos de nossa sociedade inclusive os marginais, drogados, criminosos, estressados, deprimidos .......... obrigatoriamente frequentam por x anos a escola. E se alguma instituição pode auxiliar na formação de consciências mais completas, não apenas a nível de instrução e memorização superficial, esta é chamada escola. Os maiores criminosos da humanidade eram altamente instruídos porém não conscientes, não consequentes, insensíveis ou amorais, com uma maneira egoísta de ver o mundo dentro de padrões individuais, sem sintonia com as leis da natureza universal. Apenas um “homem” consciente necessariamente será bom, e para este tipo de formação será necessário mais que rótulos, desejos, pessoas se descabelando ou boa intenção. Porém, milhões de alunos estão totalmente á mercê de seres humanos com total livre arbítrio em sua sala de aula, dentre os quais a grande maioria, dá o que recebeu ou repete o que outros fazem por um salário, geração após geração a centenas de anos. Claro que cada um faz o melhor que pode dentro das suas possibilidades, mas isto não muda as idéias erradas que quase toda uma sociedade nos passa através de uma programação social, como a do consumismo, a do imediatismo, a de que herói é aquele que mata a todos e explode tudo,a de que nossa responsabilidade é apenas com nossa família, a de que para eu ser feliz preciso de dinheiro ou de alguem que preencha minhas lacunas ou carências., discriminações, etc........ Por enquanto o que se fiscaliza e se prioriza são as leis quanto ás exigências relativas ao prédio físico da escola, fichas, e papéis a preencher, considerados importantes para os dirigentes responsáveis pelo ensino no Brasil. Agora o método, um sistema,m as palavras e atitudes de cada professor em sala de aula com cada indivíduo, a escassa possibilidade de atualizações por conta própria por vários motivos, ficam para depois. E os alunos devem tentar a sorte de poderem estudar com profissionais menos desanimados e mininamente dedicados e sensíveis. Mas o chamado “professor” que superlota as alas psiquiátricas particulares, nunca se realizará com a conquista de resultados satisfatórios lidando sem uma consciência maior de nossos caminhos como seres divinos em eterna evolução, com classes superlotadas ou massas de alunos, relacionando-se com amontoados de individualidades únicas e incomparáveis, que precisariam de atenção especializada em cada carência ou desajuste de seu modelo, através do qual consegue enxergar a vida. A guerra, a violência, a maldade, a ignorância, o materialismo, o partidarismo e tudo o que degrada um planeta tão lindo como o nosso está no espírito e no pensamento, e são estes dois os futuros focos de trabalho para gradativa e lenta transformação de uma humanidade que deverá aprender, nesta nova era, a dominar sua animalidade descontrolada, libertando-se da crisálida que pesa e a impede de voar para o alto, para além do orgulho, do egoísmo individual ou familiar, e das ambições passageiras e instintivas que determinamos como vínculos únicos de prazer sem outras idéias ou opções. Particularmente acredito que o objetivo primeiro de todo ser humano deveria ser a reforma íntima real e a prática para a felicidade interior e incondicional, e não a aprovação nesta página infeliz chamada vestibular, como se fosse a fonte eterna de dinheiro e causa única do sucesso em todas as facetas da vida. Centenas de vezes me deparei em minha vida com ricos infelizes e com pessoas extremamente pobres mais felizes.
Para podermos iniciarmos juntos um novo processo, devemos nos alicerçar em parâmetros como na programação neurolingüistíca, psicobiofísica ou integração corpo, mente e espírito que hoje já é uma das matérias básicas do curso de medicina da USP, biopsicoenergética e nas pesquisas ou comprovações científicas. Depois contamos também com pensamentos e biografias de grandes missionários e mestres, assim como bibliografias atuais que possam nos auxiliar num direcionamento mais alicerçado, verdadeiro e prático de nosso trabalho.

O primeiro passo é humildemente assumirmos que todos somos professores e alunos em nossa sociedade, médicos de nós mesmos e todos somos responsáveis por ela. Após o final de mais um ciclo evolutivo de nosso planeta, vislumbramos em toda a terra luzes que começam a brilhar como uma constelação de pensamentos sintonizados com uma nova era que se inicia, quando já não basta a fé sem as explicações lógicas, ou o raciocínio sem o pulsar de um coração, onde não se aceita mais teorias sem práticas, palavras sem exemplos ou trabalho sem ótimos resultados.

Educar talvez não seja o enviar de informações de um arquivo mental ao outro.

Artigos / Revista Um Mundo Melhor – nº 01 Setembro/Outubro 2003