<%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="1252"%> ::: Casa Espírita Nosso Lar Peruíbe ::: PERDÃO: UM GESTO DE AMOR QUE AMPLIA A VISÃO...
Por: Dr. Fábio José Gonçalves

Era um dia ensolarado. Desses que qualquer um de nós não deixaria de reparar.
Aquele céu azul e o aconchego harmônico das nuvens, que pareciam querer chamar a atenção para suas formas estranhas; as mesmas que quando crianças gostávamos de associar a bichinhos de nossa lembrança... Caminhando em meio a esse devaneio confortador, defrontei-me com dileto amigo, aparentando expressão tristonha e desgostosa, e que apesar da sua tentativa de um súbito disfarce frente ao claro desalento, não se conteve; e ao aproximar-se exclamou de forma incisiva:
- Não perdoarei jamais o que me fizeram! Se a pessoa soubesse o quanto me atingiu, não ousaria sequer experimentar um “único contato” com a minha vida, ainda que seja em um encontro casual...
Um pouco aturdido com o inesperado desabafo, retruquei:
- O que a pessoa lhe fez eu não sei, mas uma coisa eu posso lhe garantir com muita segurança: ela está lhe possibilitando aprender a enriquecer sua capacidade de enxergar a vida sobre mais ângulos...
- Que nada! Está me ensinando a esquecer tudo que esteja ligado a ela! Com certeza, tudo que a envolve deve ser riscado de minha vida!
Tentando ainda acalmá-lo, persisti:
- Por acaso já pensou se com esta atitude sua memória pudesse ser afetada indiretamente? Afinal, há registros e experiências ligados à ela, que podem ser úteis em seu momento presente e, porque não dizer, num futuro mais rico em lembranças e lucidez...
Aparentando relativa surpresa frente à esta colocação, complementou com “ar reflexivo”.
- Nunca havia pensado por este ângulo... Realmente, apagar da lembrança, pode prejudicar “toda boa lembrança” adquirida neste convívio que considero desastroso... É duro admitir, mas que coisas boas eu tive... não posso negar.
Aproveitando a atenuação de seu estado interior, encadeei:
- Perceba dileto amigo, que isto é um dos benefícios “escondidos” do Perdão.
Sem poder lembrar (ou insistir em esquecer), você anula a capacidade de reunir mais elementos que lhe ajudariam a ampliar a visão. Perdoar é poder ver o fato dolorido com mais sutileza. É imediatamente transformá-lo em aprendizado, e seguir avante com a satisfação de mais uma lição... Quanto à pessoa causadora do infortúnio, entregue-a nas mãos de Deus, e agradeça-lhe por colocá-la em seu caminho como instrumento de ensino no “conceito de perdão”. Há muito mais no PERDÃO do que compreender a falta do próximo; há iluminação pelas lembranças, há fundamentalmente UM GESTO DE AMOR QUE AMPLIA A VISÃO...

Texto – Revista nº 11 – Setembro/Outubro 2005