<%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="1252"%> ::: Casa Espírita Nosso Lar Peruíbe ::: JOSEPH RANZ ROSENBERG
Hannover – Alemanha – 14 de Outubro de 1889

Nasce o pequeno Joseph. Sua mãe, Dona Anafrida Ranz Rosenberg. Seu pai, Sr. Adolph Rosenberg, homem bom, pastor protestante da Igreja Luterana.
Uma criança saudável e brincalhona como as outras, porém com uma particularidade que lhe valia o titulo de ovelha negra da família.
O pequeno Joseph, desde cedo via anjinhos e “não anjinhos” e achava natural comentar com todos. A princípio todos o desacreditavam achando besteira ou imaginação de criança, mas, com o passar do tempo, alguns já o tinham como louco, influenciando inclusive, para que seus pais procurassem tratamento médico para o menino.
Nesta mesma época, seu pai iniciava um nobre trabalho social na região. Com boa extensão de terras doadas por irmãos da Igreja, passou a construir choupanas a fim de dar guarida e alimentos aos mais necessitados que por ali passavam. Este trabalho se proliferou rapidamente transformando o local em verdadeira cidade.
E nosso jovenzinho continuava com suas pequenas “magias” acariciando um passarinho machucado e libertando-o para vôo imediato; acariciando e curando a perna de uma velha senhora, cujas feridas já não mais regrediam com os tratamentos tradicionais, indo contra todos os esforços médicos até então dispensados.
O Pequeno Rosenberg, já desconfiava que algo de diferente acontecia, mas, fazer o que se as coisas aconteciam naturalmente sem que alguém ali pudesse explicar?
Lembramos que o assunto espiritismo ou mediunidade quando não eram desconhecidos eram praticamente proibidos naquela época, portanto, era até natural que interpretassem aqueles acontecimentos como bruxaria ou coisa parecida.
A situação de seu pai e por conseqüência de toda sua família ia se agravando, afinal ele era o representante religioso de toda aquela comunidade que ele mesmo ajudara a construir.
Já em idade de escola, retornava das aulas, quando no caminho deparou com uma vaca doente, com o ubere empedrado, verdadeiro caos para aquelas famílias e suas criancinhas que por ali moravam e necessitavam daquele rico alimento, o leite. Isso sem contar no bezerrinho que com a perda da mãe certamente pereceria.
Rosenberg, mais uma vez repete aquele ato de acariciar a pobre vaquinha e ao tocar em seu ubre, eis que, a vista de todos que o rodeavam, o leite jorra abundante como se alguém estivesse ordenhando uma boa vaca leiteira em pleno vigor de sua saúde.
Veterinário era coisa rara naqueles tempos, mas nem estes e nem ninguém conseguia justificar o feito do agora “milagroso” Joseph. E a história se espalhava, iniciando-se sempre com: - “O filho do pastor faz milagres!”
O pai, não teve outra alternativa a não ser abandonar tudo aquilo que com tanto amor tinha realizado até então e se isolou com a família em lugar bem distante.
Rosenberg ainda escutou o lamento da mãe: - Filho, porque fizeste isto com teu pai...
Sr. Adolph, nesta ocasião, achou por bem enviar o filho para a França em casa de amigos para estudar e fazer a vida. Ele sabia que aquele casal, donos de pequena pensão, poderia perfeitamente acolher seu filho, mas se viu no dever de relatar-lhes tudo o que havia acontecido até então.
O que o Sr. Adolph não sabia é que seus amigos entenderiam perfeitamente “aqueles acontecimentos” pois já a muito estavam nas fileiras de estudos da Doutrina Espírita.
Rosenberg, seguiu a opção lógica e ingressou para faculdade de medicina, afinal, conforme seu raciocínio, se ele tinha o dom de curar tão bem aos animaizinhos, imagine os milagres que poderia fazer aos homens quando fosse um verdadeiro médico.
Foi um amigo da faculdade, conhecedor do espiritismo, quem primeiro diagnosticou o que de fato ocorria com Rosenberg: Mediunidade extremamente aflorada. E com a ajuda e incentivo da dona da pensão, levaram-no a sua primeira seção espírita em um centro de Lion.
Seu pai em viagem a França, soube que Rosenberg estava indo para “maus caminhos” e não podendo aceitar que o filho renegasse as diretrizes de sua religião, que era a verdadeira e representava a maioria naquela época deu-lhe um ultimato: Ou ele desistia de tudo aquilo, ou sua família o desertaria para sempre!
Chorou angustiado ao mesmo tempo em que ouvia uma voz lhe aconselhando a seguir o que seu coração mandava e esclarecendo que a união com a família se restabeleceria oportunamente e de forma sólida pois estaria baseada no entendimento.
Estudou muito o Espiritismo ao mesmo tempo em que se dedicava com louvores a faculdade de medicina. Formou-se médico com grande mérito.
Médico novo, muito procurado pela fama dos fatos extraordinários ocorridos ainda na faculdade. Rosenberg começou um processo de envaidecimento.
Afinal, ele era tão importante, tão procurado... aquele filho de pastor vindo de longe para se formar e atender aos mais variados tipos de problemas e a todos conseguir resolver.
Embora já tivesse iniciado os estudos da Doutrina que tão bem elucidava e justificava os feitos através de sua mediunidade, sobrava em seu ser o sentimento de importância, achava-se especial pois afinal de contas operava “verdadeiros milagres”.
E foi em uma reunião espírita em Lion que um espírito amigo (posteriormente se identificaria como membro de uma das entidades ligadas a Lutero) lhe trouxe um recado decisivo: Rosenberg teria que optar pela utilização de sua mediunidade seguindo os preceitos da Doutrina Espírita, ou seja, com humildade de um trabalhador do Senhor, cuja ferramenta lhe oferecia sem nada cobrar para que a utilizasse em beneficio dos que dela merecessem usufruir. Que não esperasse títulos ou honrarias em reconhecimento, muito mesmo enriquecer as custas do que na verdade pertencia a Deus.
Se não aceitasse tal orientação, tudo cessaria por ali, seguindo Rosenberg o seu caminho apenas como médico, isso sim conquistado com seu esforço e mérito. Aceitou!
E atendendo a todos sem distinção, Rosenberg só não conseguia evitar os inusitados pagamentos, um trazia uma galinha outro um saco de batatas e assim por diante. Foi então que surgiu a idéia de junto aos seus amigos, médicos recém-formados de iniciar um trabalho espelhado no que seu pai executara na Alemanha em sua infância.
Doía-lhe o isolamento da família, e aquela era uma forma que lhe aliviaria o coração.
Sempre muito perseguidos por serem espíritas, julgados como fanáticos enfrentaram muitos processos em que eram obrigados a negar a religião justificando que ali só se dedicavam em cuidar do povo, sem fazer a mínima distinção de cor, credo ou qualquer outra coisa.
Um belo dia, recebe a inesperada visita de seu pai, confirmando o que “aquela voz” lhe dissera quando optou pelo isolamento da família.
O pai não só lhe perdoava por aquela decisão, como agradecia por aquele dia em que Rosenberg escolhera o seu caminho.
Ficara sabendo por amigos que seu filho Joseph havia construído aquele local, denominado Colônia dos Bem Vindos “14 de Novembro”, (data do nascimento do pai). Sabia que essa homenagem se originava da saudade que só o amor faz sentir e que ali ficava explicito.
No passado o pai teve que abandonar o seu trabalho para se isolar por causa do filho. Agora, era a vez de Rosenberg dar as costas ao que ele considerava a menina de seus olhos... Estourara a 2ª Grande Guerra.

A Guerra – O Retorno a Alemanha.

Contra a vontade ou não a verdade é que, se não fora diretamente envolvido na Primeira Guerra, para esta era requisitado como médico experiente e se viu obrigado a retornar à terra natal e se alistar nas fileiras alemãs.
Levou consigo uma determinação. Empenharia-se ao máximo para salvar o maior numero de vidas que lhe fosse possível e na impossibilidade tentaria amenizar a dor com o conforto da alma.
Escalado para os hospitais de campo, foi diversas vezes assediado por enfermeiras, mas, optou por não se casar para poder dedicar todo seu tempo naquele sentimento de amparo físico e espiritual a que se propusera.
Uma tarde, pouco antes de terminar a guerra, recebe no hospital um inimigo muito ferido a quem seus superiores sugeriram “descartar”, afinal, salvar um inimigo em fim de guerra só serviria para gerar mais despesas já que teriam que sustentá-lo depois.
Rosenberg, ao contrário, o tratou com a mesma dedicação que havia despendido a todos os feridos até então. O prisioneiro, em agradecimento relatou que ele e seus companheiros mortos haviam minado todo o trajeto por onde estariam retornando mais de 1200 soldados alemães.
Sem tempo a perder ou a quem confiar aquela informação, uma vez que já existia grande alvoroço com relação ao fim da guerra, Rosenberg traçou um caminho alternativo em que poderia seguir, evitando as minas a fim de chegar a tempo de avisar aqueles soldados.
Porém, ao chegar na metade do caminho, avistou os soldados e percebeu que não daria tempo de alcançá-los, muitos morreriam, a não ser que ele conseguisse detonar uma mina para avisá-los. Ansioso, aproximou-se do campo minado e ainda pensou...- Será considerado um suicídio? Afinal será uma vida em favor de muitas...e apesar de ainda estar indeciso acabou pisando em uma das minas que explodiu e fez explodir algumas outras alertando e salvando a todos os soldados. Isso aconteceu faltando 3 dias para a rendição alemã.
Para o espanto de todos, Rosenberg não morreu com a explosão. Perdeu a visão e as duas pernas ficando com o restante do corpo dilacerado.
Em leito de hospital, lutou com sua consciência por alguns meses questionando se havia agido corretamente ou não. Em 03 de Setembro de 1945 aos 56 anos Joseph Ranz Rosenberg despedia-se daquela encarnação rumando à Pátria Espiritual.

Notas do Editor:
1) Dr. Rosenberg é Mentor Espiritual da Casa Espírita Nosso Lar.
2) Esta pequena biografia romanceada de sua última encarnação foi baseada em seu relato através da Médium psicofônica Moriza Rodrigues do Amaral.
Adaptação do texto: Marcéu Erdei Parrini – DCD-Nosso Lar