Como neste ano após muito tempo, tive contato, além de escolas
particulares, com diferentes escolas públicas, nem descreverei aqui a
realidade que presenciei. Apenas vou reescrever pequenos raciocínios
que todo ser humano como educador deveria fazer em respeito à formação
do pensamento. Em grande parte, cada pessoa é fruto de suas práticas,
de condicionamentos, e como o cérebro não sabe a diferença
entre um jogo, uma brincadeira e a vida real, brincando seja no quintal ou no
vídeo game, também cada criança está formando sua
personalidade do amanhã. Se a criança pratica correr impulsivamente
sem o desenvolver de seu interior, de seu raciocínio, de sua concentração,
tenderá a continuar agindo assim para o resto da vida ou sofrerá
para mudar pela necessidade posteriormente.
Se alguém tentar modificar os péssimos condicionamentos adquiridos
pelas crianças após muitos anos, a criança sofrerá,
o adulto sofrerá, e o trabalho depois torna-se muito mais lento, difícil
e com poucos resultados de qualidade. É como perdermos a oportunidade
em mais uma nova encarnação de se gravar o correto no cd mental
enquanto ainda está virgem. Quando praticamos ou decoramos algo errado,
a reeducação torna-se mais penosa e demorada. E é esta
primeira programação única na mente da criança,
que a auxiliará ou não no redirecionamento dos defeitos do espírito,
que gradativamente tenderão a reaparecer após certa idade.
A evolução humana sempre começa num extremo e vai para
o outro, para depois atingir o equilíbrio. Do tempo em que era uma vergonha
a mulher mostrar seus calcanhares, a maior parte da sociedade partiu para o
uso dos fios dentais ultrapassando todos os limites da intimidade. De maneira
semelhante, percebemos que de um tempo onde militares, pais e professores eram
extremistas em punir, reprovar, expulsar ou até bater, chegamos ao outro
extremo quando a sociedade com poucas exceções adotaram a crença
de que o certo é fazer desde bebê, tudo o que a criança
quer. A criança escolhe sua escola, o que se vai comprar, vestir, comer,....como
se tivesse condições para isto. E se ela chorar é o fim
do mundo, surgindo as conhecidas tempestades em copo de água, quando
o pequeno ser recomeça suas práticas passadas de controlar e dominar
pela força, conseguindo o que quer. Se o adolescente ainda não
tem parte do cérebro formado completamente, e internamente necessita
mesmo que reclame, de sentir pulso firme ou segurança na direção
familiar conduzindo sua conduta, o que se dizer de crianças menores?
Quando os pais não mostram à criança que sabem raciocinar
e decidir o que é melhor aos filhos, uma certa segurança, e que
mesmo estando errados eles é que mandam e a criança deve colocar-se
no seu devido lugar aprendendo obediência, respeito, paciência,
e outras virtudes, percebemos que os jovens, (em grande parte reflexos dos pais
ou efeitos da criação recebida), tornam-se inseguros, revoltados,
violentos e quase incontroláveis. Afinal é pelo exemplo e pela
linguagem não verbal que se educa. Não adianta os pais baterem
na criança com constância, mas apenas em último caso, senão
em breve nem isto resolverá mais. Uma das inteligências existentes
que também deve ser desenvolvida é a de se obedecer a regras,
que será utilizada para o resto da vida, para cada escola ou trabalho
que o indivíduo estagiar. Para que não haja injustiça na
cabeça de cada criança, as normas devem funcionar para todos sem
exceção, e se a criança chorar e espernear, ela agradecerá
mais tarde a mão firme que com serenidade a recoloca nos trilhos, fazendo-a
obedecer queira ou não, após o diálogo e as devidas explicações
dos porquês, induzindo-a assim à prática que a condicionará
à mansa obediência. São as práticas do jovem de hoje
que o ajudará no desenvolver de um corpo sem domínio e sem freio,
ou de uma integração corpo/mente/espírito consciente integralmente.
Artigo / Revista Um Mundo Melhor nº 04 Maio/Junho
2004