Melhor educação hoje – Brasil mais feliz amanhã
Prof. Carlos E. Terzini

Como neste ano após muito tempo, tive contato, além de escolas particulares, com diferentes escolas públicas, nem descreverei aqui a realidade que presenciei. Apenas vou reescrever pequenos raciocínios que todo ser humano como educador deveria fazer em respeito à formação do pensamento. Em grande parte, cada pessoa é fruto de suas práticas, de condicionamentos, e como o cérebro não sabe a diferença entre um jogo, uma brincadeira e a vida real, brincando seja no quintal ou no vídeo game, também cada criança está formando sua personalidade do amanhã. Se a criança pratica correr impulsivamente sem o desenvolver de seu interior, de seu raciocínio, de sua concentração, tenderá a continuar agindo assim para o resto da vida ou sofrerá para mudar pela necessidade posteriormente.
Se alguém tentar modificar os péssimos condicionamentos adquiridos pelas crianças após muitos anos, a criança sofrerá, o adulto sofrerá, e o trabalho depois torna-se muito mais lento, difícil e com poucos resultados de qualidade. É como perdermos a oportunidade em mais uma nova encarnação de se gravar o correto no cd mental enquanto ainda está virgem. Quando praticamos ou decoramos algo errado, a reeducação torna-se mais penosa e demorada. E é esta primeira programação única na mente da criança, que a auxiliará ou não no redirecionamento dos defeitos do espírito, que gradativamente tenderão a reaparecer após certa idade.
A evolução humana sempre começa num extremo e vai para o outro, para depois atingir o equilíbrio. Do tempo em que era uma vergonha a mulher mostrar seus calcanhares, a maior parte da sociedade partiu para o uso dos fios dentais ultrapassando todos os limites da intimidade. De maneira semelhante, percebemos que de um tempo onde militares, pais e professores eram extremistas em punir, reprovar, expulsar ou até bater, chegamos ao outro extremo quando a sociedade com poucas exceções adotaram a crença de que o certo é fazer desde bebê, tudo o que a criança quer. A criança escolhe sua escola, o que se vai comprar, vestir, comer,....como se tivesse condições para isto. E se ela chorar é o fim do mundo, surgindo as conhecidas tempestades em copo de água, quando o pequeno ser recomeça suas práticas passadas de controlar e dominar pela força, conseguindo o que quer. Se o adolescente ainda não tem parte do cérebro formado completamente, e internamente necessita mesmo que reclame, de sentir pulso firme ou segurança na direção familiar conduzindo sua conduta, o que se dizer de crianças menores? Quando os pais não mostram à criança que sabem raciocinar e decidir o que é melhor aos filhos, uma certa segurança, e que mesmo estando errados eles é que mandam e a criança deve colocar-se no seu devido lugar aprendendo obediência, respeito, paciência, e outras virtudes, percebemos que os jovens, (em grande parte reflexos dos pais ou efeitos da criação recebida), tornam-se inseguros, revoltados, violentos e quase incontroláveis. Afinal é pelo exemplo e pela linguagem não verbal que se educa. Não adianta os pais baterem na criança com constância, mas apenas em último caso, senão em breve nem isto resolverá mais. Uma das inteligências existentes que também deve ser desenvolvida é a de se obedecer a regras, que será utilizada para o resto da vida, para cada escola ou trabalho que o indivíduo estagiar. Para que não haja injustiça na cabeça de cada criança, as normas devem funcionar para todos sem exceção, e se a criança chorar e espernear, ela agradecerá mais tarde a mão firme que com serenidade a recoloca nos trilhos, fazendo-a obedecer queira ou não, após o diálogo e as devidas explicações dos porquês, induzindo-a assim à prática que a condicionará à mansa obediência. São as práticas do jovem de hoje que o ajudará no desenvolver de um corpo sem domínio e sem freio, ou de uma integração corpo/mente/espírito consciente integralmente.

Artigo / Revista Um Mundo Melhor nº 04 Maio/Junho 2004