Há 200 ANOS NASCIA UM MISSIONÁRIO
Sua Missão: Servir de maneira imparcial de elo entre a espiritualidade e a limitação de compreensão da humanidade. Deixar registrado de forma transparente a incrível mecânica do ciclo evolutivo do Universo. Que de seus escritos, cada frase se transformasse em um leque inesgotável para pesquisas e estudos aprimorativos em busca do verdadeiro conhecimento.
Este era o seu legado. O nosso... Aproveitar este precioso material
de esclarecimento para progredirmos com mais responsabilidade.
O tesouro é de todos, mas cabe aos que o alcançarem primeiro indicar
os atalhos no mapa da vida para que os demais alcancem mais rápido a
verdadeira riqueza do Ser. Portanto continuemos firmes divulgando Kardec.
EIS UM POUCO SOBRE A SUA
ÚLTIMA E VALOROSA ENCARNAÇÃO.
O menino de olhos claros, de personalidade enérgica e perseverante.
Allan Kardec era uma pessoa totalmente oposta ao protótipo
de um místico ou de um iluminado. Homem muito inteligente, de temperamento
calmo, racional e lógico, nunca possuiu nenhum tipo de mediunidade. Embora
tido pelos espíritas como um missionário, jamais se proclamou
como tal. Sua doutrina não é produto de uma tese pessoal, de cunho
personalista, elaborada por revelação em algum “lugar santo”,
isolado, após alguma superexperiência mística e solitária,
totalmente subjetiva.
Nascido em Lyon, França, em 3 de Outubro de 1.804 no seio de uma família
simples de juízes e advogados, batizado como Denizard Hyppolyte Leon
Rivail. O pequeno Rivail nasceu em uma época de graves agitações
políticas, conflitos sociais e religiosos, não apenas na França,
mas em todo o mundo. Era a época de Napoleão I. Os franceses sofriam
o peso de intermináveis chacinas e toda a Europa se transformara em sangrento
campo de batalha.
O materialismo, a descrença, a intolerância religiosa predominavam.
Os membros proeminentes do clero, com raras exceções, compartilhavam
avidamente da roda dos interesses mundanos, tragicamente esquecidos do exemplo
do Sublime Nazareno, de quem se auto-intitulavam legítimos representantes
na Terra.
Aos 12 anos, Rivail conclui seus estudos em sua amada Lyon. Seus pais, desejosos
em lhe oferecer boa educação, vivendo o clima das lutas religiosas
na França de então, entenderam por bem confiar o único
filho ao famoso educador Johann Heinrich Pestalozzi, o mais sábio, respeitado
e célebre professor daquele tempo, percursor da moderna educação,
da chamada “escola ativa” e fundador da primeira escola profissional
do mundo na Suíça.
O jovem professor Rivail, seu Instituto e suas obras.
Em 1824 retorna para Paris, França, e se dedica ao ensino
e a publicação de obras pedagógicas que seriam um grande
sucesso, levando na intimidade de sua alma, as lições inesquecíveis
do grande educador, cuja influência moral jamais deixaria de inspirá-lo,
durante todos os grandes momentos de sua vida missionária.
Em 1825, já falava 6 idiomas e abriu sua própria escola de primeiro
ano, seguindo-se em 1826 da abertura do Instituto Técnico Rivail que
ensinava física, matemática, astronomia, anatomia comparada e
retórica. Redigiu também uma série de livros sobre assuntos
diversos para a Universidade da França, porém não abandonou
a seqüência de suas obras voltadas ao ensino. Por volta de 1840 Rivail
já seria rotulado pela sociedade como um educador reputado e respeitado
que poderia simplesmente viver da renda de seus livros pelo resto de seus dias.
Em 1832 aos 27 anos, casa-se com distinta professora, a senhorita Amèlie
Boudet, uma jovem culta, poetisa e pintora que conhecera no “Instituto
Educacional Técnico”. Lecionava letras e belas-artes. No futuro
Amèlie tornar-se-ia sua conselheira, secretária, enfim seu o braço
direito.
Em 1854 Rivail, com 50 anos, é um mestre respeitado, escritor conhecido
com obras didáticas adotadas pela Universidade da França. Equilibrado,
sua mente está amadurecida e o coração sereno e compassivo,
pronto para dar início ao cumpri mento da missão que haveria de
desempenhar.
Até então, não havia tido nenhum interesse pelas manifestações
espíritas que a França e toda a Europa voltavam a atenção
para os fenômenos das chamadas “mesas girantes”. Pessoas de
todos os níveis culturais e sociais, indiferentemente de suas convicções
religiosas, estavam às voltas com sessões em que se realizavam
fenômenos de efeitos físicos.
Nessas sessões, as mesas eram movimentadas por entidades espirituais,
respondendo, por códigos, às perguntas feitas pelos participantes.
Muitas pessoas sérias, orientadas por espíritos bondosos e sábios,
obtinham comunicações elevadas e interessantes. Mas em geral,
esses fenômenos se davam para o divertimento dos salões parisienses,
alheios para compreender a extensão do novo fenômeno.
A desmistificação do conhecimento secreto.
Foi o magnetizador Fortier quem falou ao professor Rivail sobre
esses espantosos fatos mediúnicos. Outro amigo, companheiro de juventude,
um corso de nome Carloti, também lhe chamou a atenção sobre
tais acontecimentos inexplicáveis. Em razão de sua mentalidade
crítica e científica, o respeitado professor manteve-se reser
vado e distante.
Até que um dia, no lar dos amigos sr. Pântier e senhora Plainemaison,
pela primeira vez, assiste a diversos fenômenos mediúnicos, onde
as mesas saltavam e corriam, sozinhas. O que o professor via em casa de seus
amigos, repetia-se por todas as partes do mundo. Mas os assistentes, com raras
exceções pareciam não compreender o alcance de tudo aquilo,
fazendo dessas reuniões um passatempo ocioso e fútil.
Mais tarde, diria Allan Kardec: “Entrevi naquelas aparentes futilidades,
no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério,
como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim mesmo investigar
a fundo”. Assim se inicia um trabalho de monge que se seguiria durante
2 anos.
É interessante observar que a excelência doutrinária inegável
do Espiritismo, codificado por Allan Kardec deve-se, em sua quase totalidade,
à mediunidade de quatro meninas que foram: Caroline e Julie Boudin (16
e 14 anos, respectivamente), Ruth Japhet e Aline Carlotti – verdadeiros
anjos reveladores da nova mensagem do Céu para os dias futuros.
Assim, Rivail mudaria o rumo dos experimentos, dirigindo perguntas filosóficas,
recolhendo informações, comparando-as, categorizando-as. Em sessões
especiais, utilizaria a mediunidade de duas meninas, filhas de seu amigo Boudin,
Caroline e Julie, quando recebe a maior parte dos ensinamentos contidos em O
Livro dos Espíritos. No decorrer dos fatos, um grupo de pesquisadores
que já havia acumulado mais de 50 cadernos com comunicações
recebidas, lhe pede para que as revisem e ordenem. Recusa-se inicialmente, mas
em seguida em preende esta tarefa monumental que culminaria com a publicação
do Livro dos Espíritos, assim mesmo entitulado a pedido dos espíritos
para bem marcar a sua origem.
A mensagem do antigo druida* para as gerações futuras.
- 1857 – Em Abril por ocasião do lançamento
de O Livro dos Espíritos, o professor Rivail resolveu apresentá-lo
a público com o seu antigo nome gaulês Allan Kardec, nome que lhe
foi revelado por um espírito guia que tinha sido seu discípulo
em existência anterior em que ele fora um sacerdote gaulês ao tempo
de Julio César, na Gália (na verdade, antigo nome do território
francês).
- 1858 – 1º. de Janeiro surge a Revista Espírita, dirigida
pessoalmente por Allan Kardec, até sua desencarnação. Três
meses depois, é fundada a Sociedade Parisiense dos Estudos Espíritas,
e neste mesmo ano, Kardec publica um pequeno livro de esclarecimentos doutrinários
denominado Instruções Práticas sobre as Manifestações
Espíritas.
- 1859 – Mais uma obra do codificador é trazida à lume:
O que é o Espiritismo, uma introdução aos estudos doutrinários.
- 1861 – Nos primeiros dias do ano, o infatigável missionário
publica outra obra: O Livro dos Médiuns. Considera-o como sendo “a
continuação de O Livro dos Espíritos”, pois também
neste, os ensinamentos pertencem aos espíritos.
- 1862 – Em 15 de janeiro aparece um pequeno livro intitulado O Espiritismo
em Sua Expressão Mais Simples, também de autoria de Kardec. Trata-se
de uma síntese da Doutrina, escrita com simplicidade, “ao alcance
de qualquer inteligência”, esclarece o missionário. De suas
viagens aos espíritas de Bordeaux e Lyon se origina mais duas publicações:
Viagem Espírita de 1862, e Refutações às Criticas
contra o Espiritismo.
- 1864 – Kardec publica uma pequena brochura: Resumo da Lei dos Fenômenos
Espíritas e também a obra que se consiste em verdadeiro tratado
moral dos ensinamentos de Jesus: O Evangelho Segundo o Espiritismo.
- 1865 – Em agosto é publicado pela Livraria Espírita de
Paris seu novo livro: O Céu e o Inferno – A Justiça de Deus
Segundo o Espiritismo. Explica o codificador que o homem carrega dentro de si
a necessidade de crer, mas para que essa crença satisfaça a seus
anseios, ela deve corresponder às suas necessidades intelectuais.
- 1868 – O grande missionário publica uma obra de grande valor
científico: “A Gênese – Os Milagres e as Predições
Segundo o Espiritismo”. Nesta obra o codificador deixa o campo exclusivamente
doutrinário para evidenciar as relações do Espiritismo
com a Ciência.
O Retorno à Vida Maior.
Allan Kardec planeja muitas coisas em favor da Doutrina. Intenciona
escrever novas obras e construir uma casa-abrigo para os trabalhadores do Espiritismo
que envelhecessem sem recursos. Para tal intento, usara suas economias provenientes
de suas obras pedagógicas para comprar um terreno na Avenida Ségur,
porém...
...No dia 31 de março de 1869, entre 11 e 12 horas da manhã, ao
atender a um visitante que lhe solicita um exemplar da “Revista Espírita”,
repentinamente, a velha enfermidade do coração liberta seu grandioso
espírito.
Conclusão: A possibilidade de ser e tornar-se cada vez mais e melhor.
A mensagem espírita, bem compreendida em teoria e prática,
descortina a seus adeptos um vasto horizonte religioso-filosófico-científico,
proporcionando um gradativo refinamento de cogitações e conseqüente
elevação de aspirações.
Uma educação espiritual consistente, não coercitiva, racional
e consoladora – este é o legado de Allan Kardec, o antigo druida
ressurgido. Sua mensagem é destinada às gerações
futuras, mais despojadas e sublimadas pela dor do milenar desengano resultante
da pertinente transgressão às leis divinas. Estas gerações
compreenderão a Terceira Revelação, pois que a viverão
em profundidade. A evidência da vida ultrafísica se imporá,
irrefutavelmente, convergindo a humanidade para a religião interior,
cósmica, referida por Jesus como a que seria vivenciada “em espírito
e verdade” – unificando o rebanho disperso em torno do único
Pastor.
*DRUIDA: (Lat) Nome dos primitivos sacerdotes gauleses e bretões.
Formavam uma classe sacerdotal hierarquizada. Os druidas presidiam os sacrifícios,
praticavam a adivinhação e a magia, tinham funções
de educadores e de juízes e conservavam a memória e a tradição
entre os gauleses e os bretões.
Na Gália, mantinham uma grande assembléia, a única instituição
comum em todo o país. Defensores do Celtismo e da nação
gaulesa, foram combatidos por Roma, que proscreveu o druidismo.
Fontes para pesquisa: - Feb - Casa Ave Cristo - Larousse - TV Boa Nova - Revista
Um Mundo Melhor
Introdução, organização e Pesquisas: Marcéu Erdei Parrini – Depto. de Comunicação e Divulgação.
Biografias / Revista Um Mundo Melhor nº 06 – Set/Out 2004