Prof. Carlos Eduardo Terzini
Pensar em futuro nos lembra de fé que é saber
o que vai acontecer a partir de uma consciência maior. Vamos continuar
com uma fé viva ou morta? Fé viva é a resultante da integração
entre mente, coração e espírito. A fé morta é
o desânimo e o desespero de se estudar e de se viver numa consciência
acinzentada e numa sociedade que focaliza a matéria, a desgraça,
a violência, o corpo, a aparência, e tudo o que há de mais
superficial e passageiro.
A fé verdadeira é a chama que verdadeiramente ilumina, e a fé
morta apenas a meta material que se ensina hoje nas escolas. Podemos associar
este paralelo com uma vela real acesa e uma foto da vela acesa, que engana a
muitos que cultuam a imagem superficial, mas que não ilumina nada.
Precisamos que a globalização da sociedade chegue á globalização
da solidariedade, e com o cérebro atingirmos a ternura e a sensibilidade
do bom coração.
Da sociedade agrícola atingimos a sociedade do conhecimento. Rumemos
agora á sociedade da consciência cuja base será a espiritualidade
ou a verdade. Nos preparemos para ajudar nossos jovens a detectarem e desenvolverem
as sementes dos seus talentos que estão escondidas no oceano de sua inconsciência.
Tudo já está induzindo o educador atualizado (qualquer ser humano),
a estimular o aluno para o aprender, para o fazer, para o conviver, para o ser
e para o transcender. Na base da pirâmide estão os dados, depois
as informações, depois o conhecimento, e depois a sabedoria que
é hoje nossa meta pessoal e educacional. Se não basta o conhecimento
perene nem a identidade apenas terrena, busquemos a sabedoria para conhecer,
para discernir e para compartilhar, indo em busca do profundo desejo de cada
ser vivo, o de ser amado. Num caminho de essencialidade vivencial e responsabilidade
por tudo e por todos, ouçamos o mestre maior da consciência, afim
de aprendermos a ler o texto supremo, o mundo. Como diz Comênius, lembremos
sempre que tudo é certo se saindo das mãos do autor das coisas,
e tudo degenera nas mãos do homem. E o único hábito que
se deve deixar a criança adquirir é o de não se deixar
contrair nenhum. A criança e a natureza se entendem e constituem talvez
uns 50% da escola no futuro. Como diz Rousseau, Deus se manifesta no espetáculo
da natureza. Jesus disse “não sabem o que fazem”, e não
sei porque lembro-me desta frase muitas vezes a cada dia.
Preparemo-nos portanto aos ensinamentos de amor á justiça, amor
á ordem e amor de si. A escola não deveria servir para deformar
jovens, mas para adequá-los á busca de sua auto melhoria em todos
os sentidos. Paremos com a educação negativa que não preserva
o coração das nossas crianças do mal e dos vícios.
Criemos o gosto pelas curiosidades.
“Se as crianças falam pelos homens, parece que os homens ainda
são crianças”.
Artigos/ Revista Um Mundo Melhor nº 06 Set/Out 2004