Quando lágrimas caem, por certo, a alma sofre. Sofre
a alegria de um amor demonstrado, ou a tristeza de uma desilusão.
Quando se demonstra o amor, nem sempre se faz como a própria alma deseja.
Às vezes, a demonstração de amor segue a impulsos; por
outra, se nos apresenta de forma inexpressiva.
De qualquer modo, sem que a alma esteja presente, nenhuma manifestação,
por mais que se ame, será, verdadeiramente, um reflexo do amor nela contido.
Nosso espírito encarcerado fala; fala por meio de linguagem que nem sempre
compreendemos. No entanto, a compreensão dessa linguagem está
adstrita a sentimentos que, igualmente, em nosso estágio evolutivo, não
são passíveis de tradução.
Assim, qualquer que seja a forma pela qual manifestamos nosso sentimento, nunca
podemos esquecer que o nosso irmão também é um ser dotado
de iguais sentimentos.
A linguagem é importante, mas a alma sente as atitudes. Estas, sim poderão
estabelecer o “rapport” (sintonia) necessário a uma comunicação
adequada.
André Luiz fala do perdão, em seu livro “Libertação”.
Busquemos tais conceitos, que, por certo, estão gravados indelevelmente
em nossos corações, muito antes de nosso nascimento para esta
vida.
De qualquer maneira, não adianta um simples e verbal pedido de perdão;
é preciso que a alma que se ama sinta o amor contido na nossa. Isso,
por certo, demanda tempo. Já temos, porém, plenas condições
de entendermos essa razão de tempo e de espaço.
Tempo, para esperarmos o quanto for necessário, nem que seja pela eternidade.
Espaço, para respeitarmos aquele, que cada um precisa para se recompor,
diante dos desafios que nós mesmos os proporcionamos.
Jesus nos ensinou a perdoar, perdoando. Mas ele sabia de nossas imperfeições;
não esperou ser perdoado.
Assim, não espere pelo perdão; simplesmente peça e respeite
os sentimentos alheios. Se o arrependimento for sincero, um dia ele virá.
É só acreditar em Deus e deixar que as coisas fluam.
Pense no mal causado e na reparação que ele exige. Nem sempre
esse processo é simples. Ontem negas o perdão; hoje, precisas
dele. Como fazer? Basta lembrar dos ensinamentos do Divino Mestre.
O Perdão é bilateral. Hoje você não perdoa; amanhã,
sofre com a ansiedade pelo perdão que não vem.
Não se estresse; basta fazer o seu melhor. Encontre-o e fique nele. Assim,
acredito que não só o perdão virá, como, após
isso, o amor renascerá, mais vivo, como a cada instante que lembramos
e praticamos os sábios ensinamentos que a vida nos coloca à frente,
todos os segundos de nossa vida...
Fiquem com Deus.
Textos e Contos / Revista Um Mundo Melhor nº 07 Nov/Dez