Adelaide Augusta Câmara foi uma das mais devotadas figuras
femininas do Espiritismo no Brasil, conhecida pelo seu pseudônimo de Aura
Celeste.
Nasceu em 1874 na cidade de Natal no Rio Grande do Norte e desencarnou no Rio
de Janeiro em 1944.
De família protestante, veio para o Rio de Janeiro e com auxilio de militantes
do Protestantismo, passou a lecionar no Colégio Ram Willians. Mais tarde,
organizou em sua própria casa um curso primário, onde passaram
muitos brasileiros ilustres.
Foi nessa época de sua vida, aos 24 anos, que começou a sentir
as primeiras manifestações mediúnicas. Nessa época,
Bezerra de Menezes dirigia a Federação Espírita Brasileira,
revestido de grande prestígio e respeito. O espiritismo era assunto de
todas as conversas com grande divulgação pela imprensa.
Sob a orientação de Bezerra de Menezes começou sua notável
carreira mediúnica com a psicografia no Centro Espírita Ismael.
Algum tempo depois, Adelaide, como médium auditiva, começou a
trabalhar na propagação da Doutrina Espírita, fazendo conferências,
receitando e divulgando o Evangelho por todos os lugares que freqüentava.
Com o desencarne de Bezerra de Menezes, Adelaide passou a trabalhar com Inácio
Bittencourt no Circulo Espírita “Cáritas”. Casou-se
em 1906 e a partir de então teve que conciliar seus afazeres domésticos
e a criação dos filhos com as suas confabulações
com os guias espirituais de quem recebeu e produziu textos admiráveis
lançados nos 21 fascículos da obra “Do Além”
e o livro “Orvalho do Céu”, quando adotou o pseudônimo
de Aura Celeste.
O Dr. Joaquim Murtinho era o médico espiritual, que por seu intermédio
começou a trabalhar na cura dos enfermos e necessitados que batiam a
sua porta.
Além das mediunidades de incorporação, audição,
vidência, psicografia intuitiva, possuía ainda, a extraordinária
faculdade de bilocação*. Muitas curas, em diferentes lugares do
Brasil foram comprovadas.
Deixou excelentes obras doutrinárias em prosa e verso como: Vozes d’Alma,
Aspectos da Alma, Palavras Espíritas, além de publicações
em Revistas e Jornais. Mas sua maior obra foi a fundação do Asilo
Espírita João Evangelista no Rio de Janeiro, casa de amparo e
assistência aos órfãos, que continua até hoje.
A vida e a obra de Adelaide Câmara foram uma escada de luz, uma afirmação
de fé e humildade e um perene testemunho de amor.
* Bilocação: Estar em dois locais distintos ao mesmo tempo.
Mulheres Célebres – por: Jacira Leonora Pavani
Biografias – Revista Um Mundo Melhor – nº 8 –
Fev/Mar 2005