Dr. BEZERRA DE MENEZES – “O Médico dos Pobres”

MENSAGEM PARA A REENCARNAÇÃO

Palavras de Ismael a Bezerra de Menezes em reunião na Espiritualidade Maior antes de sua reencarnação.
“Decerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no País do Cruzeiro, dirigindo-se para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração. Não precisamos encarecer aos teus olhos a delicadeza da missão, mas, com a plena observância do código de Jesus e com a nossa assistência espiritual, pulverizarás todos os obstáculos à força de perseverança e de humildade, consolidando os primórdios de nossa obra, que é de Jesus, no seio da Pátria do seu Evangelho. Se a luta vai ser grande, considera que não será menor a compensação do Senhor, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.”


NASCIMENTO E VIDA

Um exemplo de encarnação Missionária muito bem aproveitada.
Nasceu no dia 29 de agosto de 1831 na antiga freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaterama), no Estado do Ceará com o nome de Adolpho Bezerra de Menezes Cavalcanti. Filho de tradicional família de políticos do Sul, criado por seus pais, Antonio Bezerra de Menezes, tenente-coronel da Guarda Nacional, e de Fabiana de Jesus Maria Bezerra, dentro dos princípios religiosos do catolicismo e disciplina militar, tendo o dever e a honra como norma a seguir. Compunha com mais três irmãos mais velhos, o quadro familiar.
Desde muito pequeno revelou-se um espírito amadurecido, determinado, capaz de assumir atitudes e comportamentos que resultassem em benefício do próximo: aos seis anos quando algumas crianças ainda se preparam para as lides escolares, ele já sabia ler; escrever e fazer contas, entrando para a Escola Pública de Vila do Frade com sete anos. Aos 11 anos, em virtude da transferência de sua família para o Rio Grande do Norte, matriculou-se na aula pública de latinidade que funcionava na Serra do Martins, dirigida por jesuítas. Após dois anos dedicados ao estudo do latim, já possuía condições de ministrar estes conhecimentos, vindo a substituir o professor. Em 1846, a família novamente retorna para seu Estado natal, o Ceará, freqüentou o Liceu da capital, sendo considerado o melhor aluno. Até 1851, vivenciou todo um movimento de transformação do Brasil para as idéias que culminaram com a República, em 1889.
Seu pai, o capitão das antigas milícias, era profundamente liberal, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Isso o colocou na mira dos Monarquistas que, em determinado instante, levou a um exílio nas regiões do atual Rio Grande do Norte, o que o levou a contrair muitas dívidas. Juntando com o seu bom coração, que o levava a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos leais, recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse.
O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações.
Apesar da sua situação precária, o Sr. Antonio, conseguiu formar em Direito os dois filhos mais velhos, enquanto que o terceiro, que cursava o segundo ano da Faculdade de Direito de Olinda, foi forçado a interromper seus estudos.
O pai, sabendo que o sonho do filho era ser médico, chamou-o, abrindo-se com ele, informando-o da resolução que havia tomado, única compatível, disse, com a sua honra, e concluiu por lhe declarar, sua consciência não lhe permitia fazê-lo, porque tudo o que tinha em seu nome era um verdadeiro empréstimo, deposito sagrado.
Animado do firme propósito de orientar-se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, partiu em 15 de fevereiro de 1851 para o Rio de Janeiro, o mesmo ano da morte de seu pai.
Chegou ao Rio com valor que lhe daria para se manter por apenas alguns dias. Em compensação, porém, possuía um patrimônio que muito lhe valeu na vida: o de coragem e o da força indômita para a luta.
Seu curso pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro transcorreu sob os auspícios da dificuldade e da pobreza, da luta pelo dia-a-dia ingressando em novembro do ano seguinte, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Estudou em Bibliotecas Públicas e ministrou aulas de Filosofia e Matemática, para custear seus estudos.

O MÉDICO

Doutorou-se em 1856, obtendo em todos os anos do curso a nota optima cum laude.
Viu-se em pouco rodeado de numerosa clientela, senhor de uma clínica invejável. Mas os colegas da época, com certeza, não lhe invejavam o sucesso. É que essa imensa clientela não rendia coisa alguma...ninguém pagava. Era tudo gente pobre, absolutamente pobre e Bezerra de Menezes nunca falou em dinheiro a pessoa alguma. A figura do Apóstolo já começava a se esboçar, delineando os seus contornos interiores.
No ano em que Bezerra de Menezes conquistou o seu diploma, o governo imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército e nomeou para chefiá-lo o velho mestre, Dr. Manoel Feliciano Pereira Carvalho, como Cirurgião-Mor. É fácil imaginar-se a satisfação com que de Menezes passou a ser Cirurgião-Tenente do Exército, cujos vencimentos lhe permitiam manter seu consultório.
As glórias do cirurgião não foram bastante para abafar os desígnios do altruísta. A espécie da clientela era sempre a mesma: pobre, paupérrima, miserável e faziam brotar de sua bolsa minguada os proventos para uma mulher pobre comprar o indispensável à dieta de seu filhinho, ou para pagar a conta ao dono da farmácia que tinha autorização de fornecer o remédio àqueles que não podiam pagar...Pela primeira vez, Bezerra de Menezes viu seu nome alongado, com o complemento de “médico dos pobres”.
Bezerra de Menezes resolveu casar-se. E casou por amor, com D. Maria Cândida de Lacerda, no dia 06 de novembro de 1858. Desejosa de ver a ascensão gloriosa do marido, tratou de o convencer a ingressar nas lides políticas e Bezerra de Menezes acedeu, como sempre.

O POLÍTICO

Foi eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, deixando o Exército.
Em 1862, sofreu a perda da esposa querida que desencarnou deixando 2 filhos pequenos. A tristeza solicitou o conforto na leitura da Bíblia. Apesar de não praticante, era Católico, crente em Deus e na Alma.
Em 1865, casa-se em 2ª núpcias com Dna. Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã de sua primeira mulher e com quem teve 7 filhos.
Em 1867, foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado numa lista tríplice para uma carreira no Senado.
Afastou-se interinamente da atividade política, dedicando-se a empreendimentos empresariais, um dos quais a criação da Cia. Estrada de Ferro-Macaé-Campos, na então Província do Rio de Janeiro.
Voltando a política em 1876, foi eleito vereador, foi presidente da Câmara e Deputado Geral pela província do Rio de Janeiro no ano de 1880.

O ESPÍRITA

Já afastado da política, recebe do amigo, professor Joaquim Carlos Travassos, primeiro produtor de O Livro dos Espíritos, um exemplar da obra, que despertou grande interesse confessando: “Não encontrei nada que fosse estranho para o meu espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!
Em 16 de agosto de 1886, declara, publicamente, a sua adesão ao Espiritismo e se filia à Federação Espírita Brasileira. Pouco tempo depois, objetivando propiciar divulgação à Doutrina e, ainda, para não deixar sem resposta os constantes ataques ao Espiritismo, passou a escrever artigos no jornal O Paiz, utilizando o pseudônimo de Max. Foram eles publicados de setembro de 1887 a dezembro de 1894. Em 1895, eclodiu série crise na FEB, entre “os científicos” e os “místicos”, tendo sido Bezerra de Menezes convocado para o trabalho missionário de harmonização, dispondo de ampla liberdade para introduzir profunda reformulação no Espiritismo brasileiro, de modo a enquadrá-lo como o verdadeiro Consolador.
Deu, de acordo com as instruções que recebera do Espaço, a feição evangélica ao Espiritismo, e é graças a essa feição que a nossa Doutrina tanto tem avançado em nossa pátria. A Pátria do Evangelho de Jesus!
Em 11 de Abril de 1900 encerra suas atividades terrestres...

O ESPÍRITO ...Em 12 de Abril de 1900...

Mensagem dada por Bezerra de Menezes, 24 horas após o seu falecimento, através da mediunidade sonambúlica de Frederico Pereira da Silva Jr.
- “Baixai vossos olhos sobre os meus amigos, ó Virgem Gloriosa!”.
- São também vossos filhinhos, como eu, que aflito gemi e padeci na Terra, sempre com os olhos cravados em vós. Daí que eles possam compreender, ó Virgem Imaculada, esse ensinamento em que se vê vosso amado Filho, o Rei absoluto deste Planeta, curvado aos pés de humildes pecadores, como um servo humilde, lavar de seus pés o pó da estrada de peregrinos que trilhavam!
- Que eles possam compreender esse – amai-vos uns aos outros -, certos, convencidos de que o amor que desdobrarem das suas almas, para os seus irmãos, evola-se, libra-se aos paramos onde está o vosso amado Filho, - é o amor elevadíssimo que nos vem com Jesus.
- Meus caros companheiros, meus amigos, é demais a recompensa! Saudades! Ouvi, de mais de um, essa palavra, mas saudade por quê?
- Vê tu, meu velho amigo (para Sayão), vêem todos vocês como é fraco o espírito humano!
- Vocês, espíritas, meus companheiros, que falam a todo o momento comigo, têm saudades e choram! Eu também choro a minha fraqueza. Oh! Deus, oh! Jesus Cristo! Quando, pelo verdadeiro elo da amizade, pela verdadeira compreensão dos vossos ensinos serão estancadas as nossas lágrimas, e essa palavra não terá nenhum sentido na linguagem das criaturas, vivendo todos nós sempre unidos e ligados pelo coração?
- Eu estou junto de vocês, meus caros companheiros. Eu lhes peço: não quebrem essa cadeia sagrada.
Como isso é bonito, como isto eleva as nossas almas!
...Obrigado a todos vocês, a todos vocês, obrigado.”
Seu espírito foi recebido na Espiritualidade com hosanas e graças. Falanges e falanges de espíritos amigos fizeram um verdadeiro corredor, onde Bezerra de Menezes era consagrado espiritualmente como um apóstolo do bem. Ismael, patrono espiritual do Brasil, veio recebê-lo, para conduzi-lo às esferas espirituais mais evoluídas.
Em 1950, em solenidade comemorativa dos seus 50 anos de retorno a pátria celestial foi convidado pela Irmã Celina, enviada da Mãe Maria a ser promovido a esferas ainda mais evoluídas, quando de joelhos efetuou uma prece fervorosa, solicitando autorização para poder continuar sua obra em favor dos enfermos e necessitados. Finalizou solicitando: “Enquanto na Terra existir um único irmão em dor e sofrimento, eu solicito a devida permissão de continuar meu trabalho, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Pesquisas e organização: Marcéu Erdei Parrini
Fontes Bibliograficas: Federação Espírita do Paraná / Lindos Casos de Bezerra de Menezes de Ramiro Gama / Vida e Obra de Bezerra de Menezes de Sylvio Brito Soares / Site Nalfrágios do Brasil / Site Câmara Municipal do Rio de Janeiro / Arquivos DCD – Nosso lar.

Biografias / Revista Um Mundo Melhor nº 8 – Fev/Mar 2005