“Ao pé da Cruz”
Espiritismo: Bom Senso e Razão qualificam o Espírita sério - O Estudo Credencia o seu Saber.
Estavam, porém, junto à cruz de Jesus, a mãe
Dele, e a irmã Dele, e a esposa de Cleopas, e Maria, a Madalena.
Vendo então, Jesus, sua mãe e ao lado o discípulo que amava,
disse à mãe: - “Mulher, eis teu filho”. / Depois disse
ao discípulo: - “Eis tua mãe”. E desde essa hora tomou-a
o discípulo como coisa própria.
Ao comentarmos esta belíssima passagem do Evangelho de Jesus, estamos
homenageando todas as mulheres, tanto pelo seu Dia Internacional comemorado
em 08 de março próximo passado, como pelo dia das Mães
que está por vir.
Deus criou o homem e a mulher, concedendo-lhes, igualmente: inteligência,
livre-arbítrio, faculdade e meios para progredir.
Homens primitivos, pouco adiantados, mas robustos quais dinossauros, impuseram-se
às mulheres e ainda hoje alguns há, impondo-se pelo direito da
força, quando a vida demonstra que a justiça impõe-se pela
força do Direito.
“Os caminhos foram tortuosos, mas foram os caminhos para o progresso espiritual
da Humanidade”.
A mulher possui potencialidades específicas, tais como: delicadeza, sensibilidade,
afetividade, intuição, devoção, renúncia...
Mas, estas mesmas características existem também no homem, até
porque homem e mulher são apenas diferentes nas roupagens físicas
que um mesmo Espírito veste, segundo seu programa evolutivo.
Esse magistral ensinamento ficou adormecido no coração da maioria
dos Cristãos, vindo a despertar somente há algumas décadas.
Para isso, ajudou-nos Kardec – O Codificador da Doutrina Espírita,
o bom senso encarnado que em sua missão terrena, edita em 1857, o primeiro
livro da codificação, o Livro dos Espíritos e nas questões
de nºs 817 a 822, afirma através do Espírito de Verdade,
que pela Lei da Igualdade, homens e mulheres são moralmente equipados.
Homens e mulheres são iguais em Direito e Liberdade.
Jesus, o mestre, na sua magnífica missão Divina, dignifica as
mulheres desde o início até no seu derradeiro e último
exemplo, “ao pé da cruz”.
As mulheres foram durante todo o seu ministério, suas discípulas,
companheiras de jornada e colaboradoras incansáveis no seu Mandato Divino.
Desde então, iniciou-se a árdua jornada das mulheres, pela igualdade,
que é uma Lei de Deus.
Assim, temos registrados pelos quatro citados: Mateus, Marcos, Lucas e João,
a passagem da cena “ao pé da cruz” com apenas nomes diferenciados.
E esta linda mensagem não é lisonjeira aos homens, porque um só
homem, o apostolo amado João, estava presente junto com as cinco mulheres,
que seguiram o Mestre até o calvário. Eram elas: 1ª - Maria,
mãe de Jesus; 2ª Joana, mulher do Proconsul , irmã da mãe
de Jesus; 3ª - Salomé, mulher de Zebedeu, mãe de João,
prima de Jesus; 4ª - Maria, mulher de Cleopas, irmão de José,
tia de Jesus; 5ª e última, Maria, da aldeia de Magdala, a famosa
Madalena, a quem Jesus dedicava tão grande amor, que a brindou com sua
“primeira aparição no corpo espiritual.”
Todas se mantinham de pé, fortes e corajosas! Foi quando Jesus, cônscio
de si e com todas suas energias, percorreu o olhar pelas pessoas e proferiu
as frases curtas e incisivas: - “Mulher, eis teu filho!” Com isso
nomeava João, discípulo amado, como seu substituto legal no afeto
de Maria. Voltando-se depois para João, ratificou o mesmo legado: “Eis
tua mãe!”. E desde essa hora tomou-a como sua própria mãe.”
Salienta-se nesta passagem, a fidelidade feminina, geralmente maior que a masculina,
pelos sentimentos mais apurados e do amor naturalmente materno e sacrificial.
Apesar da cena horripilante e deprimente da cruel crucificação,
do cansaço e dos fortes impactos emocionais das últimas horas,
não abandonaram o ser Amado à sua sorte!
Permaneceram “de pé” a confortar com seus olhares amorosos,
aquele que estava a sofrer pelo Bem que espalhara e pelos profundos conhecimentos
às multidões, e ao grupo de seus discípulos. E através
do olhar, deveriam também sustentá-lo com seus fluídos
de amor inigualável, diminuindo-lhe a dor moral do abandono da maioria
de seus discípulos, e assim mantendo-o anestesiado às dores físicas.
João, representa, “ao pé da cruz”, todas as criaturas
humanas, que se tornaram irmãos de Jesus, filhos de Maria. E segundo
o pensamento católico, todas as criaturas humanas, fiéis e infiéis,
estão sob o manto protetor e materno de Maria, por delegação
de Jesus
Para nós, Espíritas, a nossa salvação não
depende da salvação coletiva, resultante do sacrifício
do Cristo, da fé, da filiação a determinada instituição
ou da prática de certos rituais e sacramentos. Nossa salvação
mostra-nos, ou melhor, propõe a libertação como decorrência
de um aprendizado individual. É descoberta, que através de uma
postura nítida, aconselha a metodologia da “busca”, indicando-nos
um sentido oculto, implícito, que necessita ser interpretado em muito
estudo e longas meditações. É trabalho pessoal, intransferível,
esforço de aprendizado, exercício intelectual. É conhecimento
que necessita ser alcançado e assimilado porque está “dentro
de nós”, onde está Deus, nosso Criador!
Somos todos irmãos, convivendo na mesma Casa de Deus; porém, essa
casa tem muitas divisões, para que possamos adquirir segurança
naquilo que deveremos fazer. Quando a Terra se transformar em verdadeiro “Reino
de Deus”, não haverá incompatibilidades, nem separações
convenientes entre homens e mulheres. Somos peças idênticas, mas
de feições diferentes!
Deus, criou a Mulher e o Homem! Existe nela, algo que o homem não tem
condições de expressar e vice-versa, de sorte que deve haver troca
de bênçãos que os dois carregam nos guardados dos corações.
Por: Rosa Maria de Almeida Silva
Doutrina / Revista Um Mundo Melhor nº 9 – Maio/Junho 2005-08-06