Nos ensinamentos espírita-cristãos, a postura
humilde é sempre ressaltada como atitude de elevação espiritual,
e base fundamental para o equilíbrio nas relações que envolvam
a interação humana.
Jesus, em toda uma trajetória, preconizou através de sua palavra
branda e de seus gestos, as inúmeras “vantagens” que a criatura
humana pode adquirir ao expressar a humildade em seu dia-a-dia. Será
que entendemos de fato o que representa a postura humilde em nossas vidas ?
Para entendermos a humildade, talvez seja importante inicialmente compreendermos
o “seu oposto”, isto é, o “orgulho”. O orgulho
é a atitude de “querer parecer algo...” É o querer
mostrar-se bem distante do que se é ...É querer colocar para o
mundo uma “medida” que não somos. No fundo é alimentar
uma aparência bem distante da nossa realidade. A humildade propõe
exatamente o contrário. Reflete a consciência e a coragem de assumir-se
dentro dos próprios limites. É deixar de forma clara e evidente
nossas possibilidades de atuação, sem o menor constrangimento
de expressarmos nossa realidade interior. É muito comum confundirmos
humildade com carência de recursos materiais, ou submissão irrefletida
ao domínio constrangedor de uma situação (ou pessoa). O
verdadeiro humilde assume-se como é. Enfrenta as posições
divergentes com lucidez, sem perder-se em comparações improdutivas.
Pois sabe que para adquirir respeito ao próximo, necessita passar obrigatoriamente
pelo auto-respeito. Ao mesmo tempo, mantém-se em perfeita “condição
de abertura” à qualquer aprendizado que a vida possa lhe premiar;
pois compreende que a consciência de seus limites jamais seria argumento
para restringir sua evolução.
Jesus assim se posicionou. Jamais se esquivou do compromisso com a verdade.
Ao contrário, deixou-a como base para a libertação. Em
vista do exposto, poderíamos quase considerar “humildade”
como sinônimo de “verdade”. Se quisermos um compromisso com
a verdade, não procuremos a resposta na “quantia” distorcida
das aparências, mas na HUMILDADE que traduz a medida real...
Textos e contos – Revista Um Mundo Melhor nº 9 – Maio/Junho
2005