HUMILDADE : A MEDIDA REAL...
Por: Dr. Fábio José Gonçalves

Nos ensinamentos espírita-cristãos, a postura humilde é sempre ressaltada como atitude de elevação espiritual, e base fundamental para o equilíbrio nas relações que envolvam a interação humana.
Jesus, em toda uma trajetória, preconizou através de sua palavra branda e de seus gestos, as inúmeras “vantagens” que a criatura humana pode adquirir ao expressar a humildade em seu dia-a-dia. Será que entendemos de fato o que representa a postura humilde em nossas vidas ? Para entendermos a humildade, talvez seja importante inicialmente compreendermos o “seu oposto”, isto é, o “orgulho”. O orgulho é a atitude de “querer parecer algo...” É o querer mostrar-se bem distante do que se é ...É querer colocar para o mundo uma “medida” que não somos. No fundo é alimentar uma aparência bem distante da nossa realidade. A humildade propõe exatamente o contrário. Reflete a consciência e a coragem de assumir-se dentro dos próprios limites. É deixar de forma clara e evidente nossas possibilidades de atuação, sem o menor constrangimento de expressarmos nossa realidade interior. É muito comum confundirmos humildade com carência de recursos materiais, ou submissão irrefletida ao domínio constrangedor de uma situação (ou pessoa). O verdadeiro humilde assume-se como é. Enfrenta as posições divergentes com lucidez, sem perder-se em comparações improdutivas. Pois sabe que para adquirir respeito ao próximo, necessita passar obrigatoriamente pelo auto-respeito. Ao mesmo tempo, mantém-se em perfeita “condição de abertura” à qualquer aprendizado que a vida possa lhe premiar; pois compreende que a consciência de seus limites jamais seria argumento para restringir sua evolução.
Jesus assim se posicionou. Jamais se esquivou do compromisso com a verdade. Ao contrário, deixou-a como base para a libertação. Em vista do exposto, poderíamos quase considerar “humildade” como sinônimo de “verdade”. Se quisermos um compromisso com a verdade, não procuremos a resposta na “quantia” distorcida das aparências, mas na HUMILDADE que traduz a medida real...

Textos e contos – Revista Um Mundo Melhor nº 9 – Maio/Junho 2005