O CHEIRO DO DINHEIRO

Tito Flávio Vespasiano (9-79), fundador da dinastia Flávia, foi um dos mais bem sucedidos imperadores romanos.
Embora tivesse reinado por pouco tempo, de 69 a 79, acabou com as guerras civis que assolavam o império e promoveu sua unidade interna, inaugurando um período de grande prosperidade.
Como todos os governadores tinha fraquezas. Uma delas era o dinheiro. Quanto mais melhor.
Embora gracejasse com a própria ganância, estava sempre inventando meios de ampliar a arrecadação.
É famoso o episódio em que resolveu cobrar imposto pela utilização dos sanitários públicos.
Seu filho Tito, que mais tarde seria também imperador, o censurou por aquele exagero.
A reação de Vespasiano ficou famosa.
Deu-lhe uma moeda para cheirar, enquanto proclamava:
- Pecunia non olet (dinheiro não tem cheiro).
Não havia odores de urina no dinheiro, ainda que viesse dos mictórios.
Para Vespasiano dinheiro era sempre bem-vindo, não importando a procedência.

Em princípio, o dinheiro é neutro.
Pode ser bom ou mau – depende do uso.
Com ele compramos remédios para a criança doente, alimento para o faminto, agasalho para quem tem frio...
Também compramos o cigarro que provoca o câncer no pulmão, a arma para o assalto, as drogas que compromentem a existência.
Não obstante, situando-se como móvel das ações humanas, o dinheiro pode ser fonte de miasmas pestilentos que contaminam a alma envolvendo:

# O traficante que sustenta o vício...
# O comerciante que exercita a sonegação...
# O industrial que explora os operários...
# O investidor que especula nas bolsas...
# O assaltante que espalha o terror...
# O estelionatário que ilude pessoas...
# A mulher que vende o próprio corpo...

A lista é interminável.
Mentores espirituais reportam-se a nauseabundos odores, característicos de Espíritos que na Terra estiveram envolvidos com o mal.
A ambição e a usura são exemplos típicos. Exalam maus odores, espiritualmente, os que se comprometem com esses desvios.
Tais contaminações, que se entranham na Alma, exigem lixas grossas, de atribulações e sofrimentos, para serem expurgadas, ao longo de muitas encarnações.
Certamente, leitor amigo, os recursos financeiros de que você dispõe foram adquiridos de forma diferente, esforço árduo e honrado.
É dinheiro limpo, com o qual você atende suas necessidades de subsistência e busca garantir a estabilidade da família e o futuro dos filhos.
Sua alma vem usando o banho lustral da honestidade, do discernimento, sem prejudicar a ninguém. E quando você retornar ao mundo espiritual, não causará constrangimentos odoríferos aos bem feitores espirituais.
Pode fazer ainda melhor – reverter algo de seus sentimentos, em favor dos sofredores e aflitos de todos os matizes.
Costuma-se dizer que “quem dá aos pobres, empresta a Deus”.
É uma operação sui generis, portanto o Senhor nos ressarce de imediato, com bênçãos de conforto, alegria e bem-estar.
De quebra, deliciamo-nos com a incomparável flagrância que se expande quando abrimos esse maravilhoso frasco que contém o abençoado perfume da caridade!

Textos e Contos – Revista Um Mundo Melhor nº 02 – Nov/Dez 2003